Bem em frente à praia de Tambaú, a poucos minutos de barco da areia, existe uma linha de recifes que só se revela quando a maré baixa. É o Picãozinho: quando a água recua, as pedras formam piscinas rasas e claras, cheias de peixes coloridos, e o mar aberto vira uma espécie de aquário natural. É um dos passeios mais procurados de João Pessoa, e também um dos mais fáceis de encaixar no roteiro, porque sai da própria orla.
Neste guia você encontra tudo o que precisa para planejar a visita: como o passeio funciona, como escolher o dia pela maré, quanto custa, o que levar e como o Picãozinho se compara às outras piscinas naturais da cidade.
O que é o Picãozinho
O Picãozinho é um recife de corais e arenito que fica a cerca de 1,5 km da praia de Tambaú (algumas fontes falam em até 2 km). Na maré alta ele fica quase todo submerso; na baixa-mar, grande parte das pedras aparece e a água entre elas fica com profundidade de banho, em alguns pontos na altura da canela e em outros na da cintura de um adulto.
A área faz parte da Área de Proteção Ambiental Naufrágio Queimado, criada em 2019 e administrada pela Sudema, o órgão ambiental da Paraíba. Por isso o passeio tem regras de conduta (mais abaixo) e é feito com embarcações que saem de pontos conhecidos da orla.

Como funciona o passeio
Os barcos e catamarãs saem da faixa de areia de Tambaú. A travessia leva uns 15 minutos. Chegando lá, a embarcação ancora junto ao recife e você desce direto na água, sobre areia e pedra. O tempo nas piscinas costuma ser de 1h30 a 2 horas, e o passeio completo, contando embarque e volta, fica entre 2h30 e 3 horas.
Não existe horário fixo de saída. Como o passeio depende da maré baixa, e a maré muda de horário todos os dias, cada operador marca a saída conforme a tábua de marés daquele dia. Pode ser às 7h numa semana e às 13h na seguinte.
Tipos de embarcação
- Catamarã temático: o mais procurado por famílias. Alguns têm tripulação fantasiada de pirata, toboágua, prancha, cama elástica e caiaque. Bar a bordo, pago à parte.
- Catamarã grande: barcos para cerca de 100 pessoas, com banheiro, som e piso superior com sombra.
- Lancha: para grupos pequenos (até 5 pessoas, em geral), mais cara, mas com mais liberdade de horário. Alguns operadores saem uma hora antes dos catamarãs, com as piscinas ainda vazias.
Na escolha, pense no seu grupo. Famílias com crianças pequenas costumam preferir os catamarãs, que têm banheiro, sombra e espaço para circular. Casais e grupos de amigos que querem fotos com as piscinas mais vazias tiram mais proveito da lancha. Quem enjoa com facilidade se sente melhor nas embarcações maiores, que balançam menos enquanto ficam ancoradas.
Como é a chegada às piscinas
Quando o barco ancora, a tripulação baixa uma escada e explica onde descer. Junto à embarcação a água costuma ser mais funda; os trechos rasos ficam alguns metros adiante, sobre a areia entre as pedras. Quem não quiser entrar na água pode ficar a bordo, aproveitando a vista, o bar e a sombra do catamarã.
No fim do tempo combinado, a tripulação chama todos de volta. Respeite o horário: logo depois da maré baixa a água começa a subir, e o barco precisa sair antes que o recife volte a ficar coberto.
Maré: a regra que decide o dia
O Picãozinho só vale a pena com maré baixa de verdade. Os operadores usam como referência uma altura de até cerca de 0,5 metro na tábua de marés; acima disso, a água fica funda demais entre as pedras e a visibilidade cai. Quanto mais baixa a maré, melhor.
Três dicas para acertar o dia:
- Olhe a tábua antes de comprar. O horário da maré baixa atrasa de 40 a 50 minutos de um dia para o outro. Explicamos como ler a tábua no artigo Tábua de marés em João Pessoa, e o calendário de marés do guia mostra os dias bons de cada mês.
- Prefira os dias perto da lua cheia ou da lua nova. São as chamadas marés de sizígia, quando a maré baixa fica mais baixa e as piscinas aparecem melhor.
- Desconfie de chuva e vento forte. A água fica turva e o operador pode cancelar. Quem decide se a saída acontece é sempre a empresa, que olha também as ondas.
Se a sua viagem for curta e nenhum dia tiver maré boa, não insista. Um passeio feito com maré alta mostra pouco do recife e costuma decepcionar. Melhor trocar por outro programa e deixar o Picãozinho para uma próxima visita.
Melhor época do ano
Dá para visitar o Picãozinho o ano inteiro, desde que a maré ajude. Mas o clima pesa. Em João Pessoa as chuvas se concentram entre abril e julho, e nesses meses há mais dias de água turva e mais saídas canceladas. De setembro a março o tempo costuma ser mais firme, com sol forte e mar mais claro. É também o período de maior procura.
Em dezembro, janeiro e julho, meses de férias escolares, os barcos lotam e as piscinas ficam cheias. Se puder, vá num dia de semana e na primeira saída da manhã. Saiba mais sobre a estação das chuvas no artigo sobre o clima em João Pessoa.
Quanto custa o passeio ao Picãozinho
Os preços variam bastante conforme a embarcação e a forma de compra. Em outubro de 2026, os valores anunciados pelos operadores e revendedores ficavam nesta faixa, por pessoa:
| Tipo de compra | Faixa de preço por pessoa | Observação |
|---|---|---|
| Barco ou catamarã, só o ingresso | R$ 50 a R$ 80 | Há promoções no Pix e em sites de cupom |
| Catamarã grande com estrutura | R$ 80 a R$ 100 | Algumas incluem máscara e snorkel |
| Pacote com transfer do hotel | R$ 100 a R$ 120 | Ou transfer à parte, cerca de R$ 30 |
Crianças de até 5 anos não pagam na maioria das empresas. Fique atento ao que não está incluído: máscara de mergulho, fotos subaquáticas, bebidas e o transporte do hotel costumam ser cobrados separadamente. Em feriados e na alta temporada (dezembro, janeiro e julho) os valores sobem e os barcos lotam, então reserve com alguns dias de antecedência.
A lista de quem faz o passeio, com os preços conferidos e a fonte de cada um, está na ficha do Picãozinho no nosso guia.
Como reservar com segurança
- Prefira empresas com registro no Cadastur, o cadastro de prestadores de serviços turísticos do Ministério do Turismo. A consulta é pública e gratuita.
- Pergunte o que está incluído: transfer, colete, máscara, taxa de embarque, bebida.
- Confirme a política de remarcação. Se a saída for cancelada por maré ou mau tempo, o normal é remarcar ou devolver o valor.
- Desconfie de quem vende o passeio para qualquer dia sem falar da maré.
- Leia avaliações recentes, dos últimos meses, porque barcos e tripulações mudam.
O que levar
- Sapatilha ou sandália de neoprene: o desembarque é sobre pedra e recife, e há ouriços.
- Protetor solar, de preferência com filtro mineral, além de chapéu e óculos escuros. Não há sombra nas piscinas.
- Água e um lanche leve para depois (a comida fica no barco).
- Máscara de mergulho, se você tiver: sai mais barato que alugar.
- Capa à prova d’água para o celular e dinheiro ou Pix para o bar e as fotos.
- Roupa leve e toalha para a volta, e um saco plástico para guardar a roupa molhada.
Deixe em casa o que não pode molhar ou se perder: joias, relógio caro, documentos originais. No barco não há onde guardar objetos com segurança, e tudo o que cai no recife dificilmente volta.
O que você vai ver na água
A grande atração são os peixes. Nas piscinas do Picãozinho é comum ver cardumes de pequenos peixes de recife nadando entre as pernas dos visitantes, como o sargentinho, listrado de amarelo e preto, e outras espécies coloridas que se abrigam entre as pedras. Com máscara você enxerga muito mais: ouriços nas frestas, algas, corais e, com sorte, polvos escondidos e estrelas-do-mar.
A visibilidade depende do dia. Com maré baixa, sol e pouco vento, a água fica transparente. Depois de chuva, nem a maré perfeita garante água clara.
Fotos subaquáticas
Em muitos barcos há fotógrafos que acompanham o grupo na água e vendem as fotos no fim do passeio, em arquivo digital. O preço varia por operador e é cobrado à parte. Se preferir fotografar por conta própria, uma capa estanque resolve, desde que presa ao pulso.
Regras e cuidados no recife
As regras repetidas por guias e operadores são simples e existem para proteger o recife, que é um ecossistema vivo e frágil:
- Não pise nos corais e evite apoiar as mãos nas pedras com vida.
- Não alimente os peixes nem leve comida para a água.
- Não retire conchas, estrelas-do-mar ou qualquer animal.
- Use o colete salva-vidas sempre que o operador pedir, e peça um antes de embarcar se não for oferecido.
Com crianças: o passeio é tranquilo para famílias, mas a profundidade muda com a maré. Criança pequena deve ficar no colo, de colete ou na boia, sempre com um adulto do lado.
Mobilidade reduzida, gestantes e idosos: a descida para a água é por escada e o chão das piscinas é irregular, com pedras e buracos. Dá para fazer o passeio, mas converse antes com o operador, prefira uma embarcação maior e, se for o caso, aproveite a vista de dentro do barco.
Protetor solar: passe pelo menos 20 minutos antes de entrar na água, para dar tempo de fixar na pele, e reaplique na volta ao barco.

Picãozinho, Seixas ou Areia Vermelha?
João Pessoa tem três passeios de piscinas naturais, e é comum confundir os três. A diferença principal:
- Picãozinho: em frente a Tambaú, o mais perto da orla e o mais prático para quem está hospedado na região. Saída da própria praia.
- Piscinas do Seixas: em frente à Ponta do Seixas, mais ao sul, mais afastadas da orla urbana. Veja o nosso guia das Piscinas Naturais do Seixas.
- Areia Vermelha: um banco de areia que surge no mar de Cabedelo, dentro de um parque estadual, com horário de visita controlado. Saiba mais no artigo sobre o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha.
Se você só tem tempo para um, a escolha costuma ser decidida pela maré do dia. O guia tem uma comparação lado a lado dos três.
Um dia em Tambaú com o Picãozinho
Como a saída é em Tambaú, dá para montar o dia inteiro sem pegar carro. Um exemplo para quando a maré baixa cai no fim da manhã:
- Manhã: passeio ao Picãozinho, na saída que coincide com a maré baixa.
- Almoço: peixe, camarão ou carne de sol nos restaurantes da orla.
- Tarde: descanso, seguido de uma volta pela Feirinha de Tambaú e pelo Mercado de Artesanato Paraibano, para comprar artesanato e provar tapioca.
- Fim de tarde: caminhada pelo calçadão até Cabo Branco, ou o pôr do sol do Hotel Globo, no Centro Histórico.
- Noite: jantar e a vida noturna da orla.
Se a maré baixa for à tarde, inverta: Centro Histórico ou praia de manhã e Picãozinho depois do almoço. E se você ainda não escolheu onde ficar, veja o nosso guia de onde ficar em João Pessoa: Tambaú é o bairro mais prático para quem quer fazer este passeio.
Perguntas frequentes
Onde fica o Picãozinho?
Em frente à praia de Tambaú, em João Pessoa, a cerca de 1,5 km da areia. Os barcos saem da própria orla de Tambaú e a travessia leva uns 15 minutos.
Qual é a melhor maré para o Picãozinho?
Maré baixa de até cerca de 0,5 metro na tábua de marés, de dia. Quanto mais baixa, mais as piscinas aparecem. Os dias perto da lua cheia e da lua nova costumam ter as marés mais baixas.
Quanto custa o passeio?
Em outubro de 2026, entre R$ 50 e R$ 120 por pessoa, conforme a embarcação e se inclui transfer. Crianças até 5 anos não pagam na maioria das empresas.
Quanto tempo dura?
De 2h30 a 3 horas no total, com cerca de 15 minutos de travessia em cada sentido e 1h30 a 2 horas nas piscinas.
Precisa saber nadar?
Não. Na maré certa a água fica rasa em boa parte das piscinas, e as embarcações têm colete e boias. Mesmo assim, a profundidade varia, então quem não nada deve usar colete o tempo todo.
O passeio acontece com chuva?
Depende. Chuva fraca não impede, mas deixa a água turva. Com chuva forte, vento ou ondas, o operador cancela ou remarca.
Qual a melhor época do ano?
De setembro a março, quando chove menos e a água costuma estar mais clara. Em qualquer mês, porém, o que decide é a maré do dia.
Tem banheiro no barco?
Os catamarãs maiores têm banheiro. Lanchas e barcos pequenos, em geral, não.
Posso levar comida?
Cada operador tem a sua regra, já que muitos barcos têm bar a bordo. Pergunte na reserva. Na água, comida nunca: alimentar os peixes é proibido.
Fontes consultadas
- Wikipédia, verbete Picãozinho
- Quanto Custa Viajar, Piscinas naturais de Picãozinho (2019)
- Paraíba Business, melhor horário para as piscinas naturais (12/09/2026)
- Jornal da Paraíba, decreto da APA Naufrágio Queimado (15/01/2019)
- Capitão Gancho, passeio ao Picãozinho (acesso em 28/10/2026)
- Maresia Turismo (acesso em 28/10/2026)
- Quality Receptivo, Piscinas Naturais de Picãozinho (acesso em 28/10/2026)
- Nordestine Turismo, Picãozinho (acesso em 28/10/2026)
- Ministério do Turismo, Cadastur (acesso em 28/10/2026)


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